ÀSÉ PONTA DE BAIXO

ÌLÉ ÀSÉ ÀLÁKÉTÚ ÒMÍN LÒGÚN-ÈDÉ

LÒGÚN-ÈDÉ

maio 4th, 2012

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé)

O SANTO MENINO QUE VELHO RESPEITA

ÌLÉ ÀSÉ ÀLÁKETÚ ÒMÍN LÒGÚN-ÈDÉ – ÀSÉ PONTA DE BAIXO

 

 

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) é o Òrisá originado do encanto, ou encantamento de Òsòósí e Òsún.

 

Divindade dos rios, senhor da pesca. LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) vive seis meses com o pai, Òsòósí, na caça e seis meses com a mãe, Òsún, na água doce. Ambos ensinariam a LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) a natureza dos seus domínios.

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) não é um Orixá “metá-metá”, ou seja, um Orixá de dois sexos, embora divida o tempo com os pais, LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) é um Orixá masculino.

Ele é a beleza em pessoa, o encanto dos jovens, o namoro, o flerte. Rege a ingenuidade do jovem, a adolescência, a beleza adolescente.

O seu encanto está no primeiro beijo, no primeiro abraço, no primeiro carinho. Está presente no brilho do olhar, no perfume das flores e numa paisagem singela. É também o deus da arte, o príncipe do que é belo, das águas doces, da caça, da alegria.

 

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) é sim um Òrisá que congrega três energias:
de Òsún, de Òsòósí e D’Ele mesmo, domina o poder de mutação e transforma-se no que ele quiser, e um dos seus Orikís nos diz:

 

“Ológun fihòn awo

funfun lóni ni òlá

Ó yióò fihón dúdú…”

 

( O feiticeiro mostra a pele que desejar; se mostrar a pele clara hoje, amanhã mostrará a pele escura)

 

 

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) é o Òrisá da riqueza e da fartura, filho de Òsún e Òsòósí, deus da caça, da guerra e da água. É, sem dúvida, um dos mais bonitos òrisás do Candomblé, já que a beleza é uma das principais características dos seus pais.

 

Rei de Ilesá, caçador habilidoso e príncipe soberbo, LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) reúne os domínios de Òsòósí e Òsún e quase tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua paternidade.

 

Apesar de sua história, é preciso esclarecer que LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) não muda de sexo a cada seis meses, ele é um orixá do sexo masculino. Sua dualidade se dá em nível comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como Òsún e em outras, sério e solitário como Òsòósí.

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) é um orixá de contradições; nele os opostos se alternam, é o deus da surpresa e do inesperado.

 

Tudo D’Ele é dobrado. LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) só responde chorando.

É a divindade das águas doces e do mato baixo.

 

Sua saudação: LÒGÚN Ó AKO, quer dizer: Ele é LÒGÚN, peguemos o arco e a flecha.

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) come com Èsú e Òsòósí. Seus fundamentos estão em sua mãe de criação, Ònirá, sem ela LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) não caminha. Toda pessoa de LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) tem que assentar Ònirá.

 

Na Nigéria, a cidade de LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) chama-se Ilesá e é uma das mais ricas e prósperas da África, anualmente fazem encontros com vários festivais, vindo pessoas de todas as partes da África e do mundo.

 

Na África negra, dizem que LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) seria na verdade Ólògún Odé – o guerreiro caçador – o maior entre todos os caçadores, pai de todos eles, inclusive de Òsòósí. E se observarmos a cantiga de Òsòósí, veremos que expressão Òmó Òdé, ou seja, filho do caçador é constante, podendo inferir certa lógica nas histórias contadas pelos africanos, como também sua ligação com Ògún.

 

Òsún Ìyéyé Ìyeopondá e Òdé Erinlé F’Ìgbó, respectivamente, as qualidades de Òsún e Òsòósí que se consideram os pais de LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé).

A história revela que Òsòósí, feliz pelo filho vindouro, declarou a Òsún o seu amor e pediu a ela a posse do menino:

- Òsún, por amor a você, quero que LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé). Fique comigo, vou ensiná-lo a caçar. Comigo ele aprenderá os segredos da floresta.

 

Mas Òsún também amava LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé). E por maior que fosse seu amor por Òsòósí, ela não poderia separar-se de seu filho então declarou:

 

- LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) viverá seis meses com sua mãe e seis meses com o seu pai, comerá do peixe e da caça.
Ele será Òsòósí, Ele será Òsún, mas sem deixar de ser ele mesmo.
LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé). Um príncipe na floresta e um grande caçador!

 

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) pertence ao panteão dos caçadores, é único, não tem qualidade.

 

No entanto, existem outras versões acerca de sua filiação. Se na maioria dos mitos, LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) surge como filho de Òsún e Òsòósí, em outros, um pouco mais raros, aparece como filho de Ògún e Iansã.

Há, ainda, histórias que contam a lenda de LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) como filho desses quatro Òrisás, apresentando-o como nada mais, nada menos que uma representação dos Òrisás Gêmeos, ìbejí.

 

Simultaneamente caçador e pescador, LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) é o herdeiro dos axés de Òsún e Òsòósí que se fundem e se mesclam como mistério da criação, trata-se de um Òrisá que tem a graça, a meiguice e a faceirice de Òsún à alegria, à expansão de Òsòósí. Se Òsún confere a LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) axés sobre a sexualidade, a maternidade, a pesca e a prosperidade, Òsòósí lhe passa os axés da fartura, da caça, da habilidade, do conhecimento.

 

Essa característica de unir o feminino de Òsún ao masculino de Òsòósí, muitas vezes o leva a ser representado como uma criança, um menino pequeno ou adolescente, formando mais uma tríade sagrada na História das religiões. Com LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé), completa-se o triângulo iorubá pai, mãe e filho que também se repete nas trilogias católica (Pai, Mãe e Espírito Santo), egípcia (Ísis, Osíris e Hórus), hindu e tantas outras.

 

Como símbolo da pureza, muitas vezes LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) também é visto como um ser andrógino. Ao contrário do que muitos pensam LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) não é de características masculina e feminina, não é bissexual.

Na verdade possui uma grande relação com Òsún, sua mãe e com Òsòósí, seu pai, trazendo consigo a personalidade desses dois Òrisás e algumas características marcantes, mas nada que o transforme em um hermafrodita que durante seis meses é Oboró e seis meses Ìyábá como algumas pessoas assim o dizem e usam deste artifício para denotações homossexuais.

Existem templos para LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) em Ilesa, seu lugar de origem, onde em alguns itans é citado como um corajoso e poderoso caçador, que tamanha coragem é relacionada à de um leopardo. Casado com três esposas. De culto diferenciado e totalmente ligado ao culto a Òsún, é um Òrisá de extremo bom gosto. Seus objetos devem permanecem junto aos assentos de Òsún e sempre quando agradado devemos agradar sua mãe. Tem predileção ao dourado, é um Òrisá muito vaidoso, é considerado o mais elegante de todos os Òrisá.

 

De Òsún, sua mãe, LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé), herdou o lado belo e vaidoso. Pois Òsún lança mão de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais rica e a mais reverenciada. Deusa da fertilidade, na Nigéria é dela o rio que leva o seu nome e no Brasil dela são as águas doces dos lagos, fontes e rios.

Água que mata a sede dos humanos e da terra, que assim se torna fecunda e fornece os alimentos essenciais à vida. Òsún menina dengosa, passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Òsún é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada ao segundo plano, afirmando-se em todas as circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla os obstáculos para satisfazer seus desejos.

 

De Òsòósí, seu pai, Herdou o dom da caça, pois Òsòósí é da família dos Òdés ( Caçadores )e seu símbolo é o Ofá, a lança de caça e o Oguê.

Òsòósí é a representação do desenvolvimento do homem, conhece os segredos da caça, também símbolo de prosperidade e formação de comunidades. Ele busca o alimento com coragem e é considerado o guerreiro das matas, é corajoso, viril e LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé), tem estas características, é um Òrisá guerreiro.

 

Conta umas das lendas que após ser abandonado e viver com Ògún aprende com ele as artes da guerra e da metalurgia. É coroado por Òiyá como o príncipe dos Orixás. É amigo íntimo de Ìyewá, seriam eles os òrisás que se complementam, considerados o par perfeito.

 

Num mito raro, LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé), se perde no caminho entre as casas de Òsún e Òsòósí, é encontrado pelo velho Òmolú que o ampara e protege.

Com Òmolú, LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé), aprende a arte da cura e a feitiçaria.

O seu primeiro nome, Lògún, no Brasil se mesclou ao segundo, Edé, nome da cidade iorubá na qual o seu culto se fortaleceu, formando LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé). Lògún pode ser uma abreviatura de Òlogún que, em iorubá, quer dizer feiticeiro.

 

Então, feiticeiro, caçador, pescador, príncipe guerreiro, esses são alguns títulos, alguns epítetos dados à LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé).

 

LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) está encantado nos pequenos animais, como o coelho, o porquinho-da-índia e os pequenos pássaros, no mato baixo, nas matas pouco densas e principalmente nos rios, sua morada predileta.

Está ligado às artes de pintar, esculpir, escrever, dançar, cantar; como o seu pai Òsòósí e ligado ao banho, pois também é filho de Òsún, deusas das águas doces

 

Tem a astúcia dos caçadores e a paciência dos pescadores como principais virtudes.

 

Como criança, LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé), se liga ao lírio, símbolo de pureza e inocência, sendo o lírio da paz uma de suas folhas sagradas.

 

 

 CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE LÒGÚN-ÈDÉ

As características dos filhos de LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) é marcada por eles se sentirem presos numa armadilha do destino como mostra as diversas lendas.

São extremamente sensíveis a dor e ao sofrimento, que lhes dão, a sensação de que o mundo está de cabeça para baixo ou de pernas para o ar.

Os filhos de LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) embora façam amigos com facilidades, não se envolvem profundamente com eles.

Podem ser masculinos ou femininos, eles sentem grande orgulho de sua beleza, de seu corpo.

 

Tratos sociais fácil, bem humorados, calmos, educados.

Ambiciosos, dão muito valor ao conforto material.

Tendem a paixão pelo debate, e às vezes falam e discutem sem parar, principalmente sobre coisas que lhes agradam.

Mas não raro precisam se isolar, interiorizar-se.

 

Nessa fase, seu interesse pelo ocultismo e pela religião se sobressai.

Otimistas os filhos de LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) perseguem seus objetivos com precisão e procuram gastar energia em coisas que gostam.

Mas são como camaleão, costumam mudar de personalidade e de atitudes como quem muda de roupa.

Traços físicos harmoniosos, estatura mediana a alta, cabeça bem feita, rosto oval proporcional ao corpo, olhos de gato, que atraem e repele ao mesmo tempo, nariz bem feito, bons dentes, voz agradável, tendência a engordar.

 

São pessoas de extremo charme e carisma, possuindo muitos amigos e admiradores.

Sentem imensa compaixão pelas pessoas que sofrem, sempre tentando ajudá-las.

A sinceridade é a maior virtude, porém irritam-se com muita facilidade.

 

Basta serem contrariados e sua fúria aparece, muitas vezes perdendo o controle de suas ações, custando muito a se acalmarem.

São perfeccionistas, querendo tudo ao seu modo. Não admitem erros de outras pessoas.

 

Agem por impulso, aproveitando ao máximo tudo o que a vida lhes oferece.

São muito curiosos e espertos. Geralmente, quando crianças, adoram desmontar seus brinquedos para ver como são feitos.

 

Na fase adulta, têm o dom de captar o íntimo das pessoas.

Os filhos de LÒGÚN-ÈDÉ (Òlógunèdé) têm muito interesse em aprender e viver novas experiências, assim como o orixá, adapta-se a todo tipo de ambiente e sabem como agir em cada situação.

 

Machucam-se com facilidade as extremidades, mãos, pés e cabeça.

 

Desembaraçados, move-se com graça, elegância e refinamento.

Ciumentos e sedutores chamam a atenção de qualquer um. Super-imaginativo destacam-se nas artes em geral, como música, teatro e dança.

São admirados por sua suavidade, inteligência e sensibilidade.

Estão sempre elogiando as pessoas e cercado de bons amigos.

 

Realmente sabem viver e aproveitar a vida, também disposto a deixarem que os outros vivam.

Estão sempre de bom astral, otimismo é a sua palavra chave.

Vontade firme e autoconfiança quase narcisista.

Embora possam assumir exteriormente um ar de indiferença às opiniões dos outros, na verdade se sentem abalados quando criticados.

 

São ternos com seus entes, mas poderão ser impiedosos com estranhos.

Apreciam o conforto material e colocarão seus desejos em primeiro lugar.

Ambiciosos, sempre alcançam seus objetivos.

Tem certa facilidade em aprender qualquer coisa e tendência a falar mais de um idioma.

 

Ser incomodado é algo que os aborrece, pois são atenciosos, modestos, corteses e gostam que os outros sejam assim também.

Detestam que conversem em tom alto ou digam grosserias. Sempre se esforçam para serem delicados, mesmo com o seu pior inimigo.

 

DADOS SOBRE O ÒRISÁ LÒGÚN-ÈDÉ

Filiação: Òsòósí E Òsún

Dia Da Semana: Quinta-Feira

Data: 19 De Abril

Cor: Azul Turquesa – Amarelo Ouro

Flores: Lírios, Rosas Amarelas, Palma, Girassol E Todas As Flores Miudinhas

Símbolo: Abebé E Òfá Em Metal Amarelo, Ogê ,Um Tipo De Chifre De Boi Que É Usado Para Emitir Um Som Chamado Olugboohun , Cuja Tradução É O Senhor Escuta Minha Voz, O Ìrú-Keré ,Cetro Com Rabo De Cavalo, Boi Ou Búfalo, Que Ele Usa Para Manejar Os Espíritos Da Floresta.

Domínio: Riqueza, Fartura E Beleza.

Oferenda Odá, Tatú, Angolas, Peixe, Coelhos, Faisões Frangos E Diversas Caças, Sendo Todas Novas.

Comida: Todas As Comidas de : Òsòósí E Òsún

Afinidade: Comunicação, Inteligência, Comércio, Artes

Sincretismo: Em Algumas Regiões, Santo Expedito Ou São Miguel Arcanjo

Toque: Ijexá – Agueré – Batá – ìlú – kòrín-Ewê – Lualàbá

Elemento: Terra e Água

Atividade: Caça e Pesca

Astro: Mercúrio

Animal: Peixe e Raposa

Animal Votivo: Camaleão e Pavão

Doenças: Raquitismo, Enxaqueca

Folhas: Oripepê e todas as folhas de Òsòósí E Òsún

Frutas: Melão, Laranja, Coco, Ameixa Amarela, Manga, Banana-Maçã, Mamão

Metal: Cobre Ouro, Latão, Mercúrio, Bronze

Natureza: Instável, Oscilante, Dual

Partes do Corpo: Aparelho respiratório, genital e nervoso, antebraço, braço, cabelo do corpo e pulmão, todo o rosto, o baixo ventre, o baço, às vezes o coração; patrono do ventre, da terceira visão e da circulação sangüínea.

Òdú Regente: Obará e Osé.

Pedras: Topázio e turquesa e Lápis Lazúli

Perfume: Lavanda

Plantas: Salsa, Malva, Lavanda, Verbena E As Mesmas De Òsòósí E Òsún

Região da África: Ilesá

Representação: Cavalo Marinho

Saudação: Ìrí Awô – Ìjô-Lògún ô Àkofá!!! ou Lóci-lóci Lògún Òluwaô
Simbolo: Balança, Ofá, Abebè E Cavalo-Marinho.

 

 

BÀBÁLÒRISÁ VALÉRIO TÍ LÒGÚN-ÈDÉ
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